ABC da Greve e Cabra Marcado Para Morrer: Duas faces da mesma moeda

Há dois documentários, ABC da greve de Léon Hirszmane Cabra Marcado Para Morrer de Eduardo Coutinho, que fazem parte daquilo que se pode chamar de documentário sócio-político, e tratam de um período marcado por grandes lutas – a ditadura militar no Brasil. O primeiro retrata as grandes greves de 1978 da classe operária no ABC paulista e o segundo, das Ligas Camponesas no nordeste em confronto com o latifúndio.

Mostram de maneiras diferentes o contexto daqueles anos, mas em ambos vemos o regime a partir dos movimentos organizados contra a exploração capitalista, seja nas cidades da região mais industrializada do país, seja no campo, numa das regiões mais pobres – o nordeste, e neste sentido, os dois documentários se completam.

Tanto um quanto outro dão ênfase direta ou indireta às lideranças dos movimentos, de um lado Lula, o então presidente do sindicato dos Metalúrgicos do ABC/SP e de outro João Pedro Teixeira, presidente das Ligas Camponesas em Sapé/PB, assassinado em 1962. Lula é um dos protagonistas da situação histórica pelo lugar que ocupava, mas não é a sua história particular que está sendo mostrada. A voz é dada, sobretudo aos operários anônimos, muitas vezes ao coro da massa operária em suas assembleias, suas falas de opinião diante da intransigência dos empresários seus patrões.

João Pedro Teixeira, por outro lado, tem sua história escolhida por Coutinho para ser reconstruída, primeiro em filme, depois em documentário, através de sua esposa e companheiros de luta. Seu exemplo de líder, primeiro dos trabalhadores das pedreiras, depois dos camponeses, sua valentia diante da polícia e dos latifundiários, mesmo sabendo da ameaça que sofria, enfim, sua ideologia e suas práticas são reveladas pelos diversos depoimentos.

ABC da greve tem o privilégio de documentar a classe operária em movimento de confronto com os empresários e a repressão do regime militar. Momento de enormes e rápidos avanços da solidariedade e consciência de classe, que em tantos momentos fazia com que os operários superassem seu próprio líder carismático, como mostrado nas contradições entre as falas individuais e as decisões induzidas em assembleia e na vontade de levar a greve até às últimas consequências mesmo após a cassação e prisão de seus líderes sindicais.

Cabra Marcado mostra camponeses recordando-se de suas lutas passadas contra o regime e o latifúndio, mas que de modo geral convergem sempre de volta para a história de João Pedro, viés central do documentário, que provoca emoção, mas que comparada ao presente de seus companheiros, revela os efeitos do autoritarismo, da perseguição política, do medo e da fuga à religiosidade… os que continuaram a luta como sua esposa Elizabete Teixeira todavia, não puderam superar João Pedro, exceto pelo fato de estarem vivos. Apesar disto, Cabra Marcado é um exemplo da valentia, de organização e luta de classe, daqueles camponeses.

Outra característica semelhante foi a repressão do regime sobre os próprios diretores: a pressão do SNI sobre a Embrafilme onde Hirszman produzia Eles não usam Black tie, sobretudo após o início das filmagens da greve no ABC; e da pressão direta dos militares que interviram na locação onde Coutinho reiniciava em 1964 as filmagens do filme Cabra Marcado para morrer, apreendendo equipamentos, roteiros, e material produzido. Como consequência, Hirszman não pode terminar seu filme pessoalmente, o material é guardado por anos, e será editado após seu falecimento em 1987. Coutinho só retomará seu projeto, agora como documentário da tentativa de filme e o que se passou, quando começa a se ensaiar a abertura democrática com o desgaste do regime militar.

Como bem colocou Holanda (2006), “A geração de cineastas brasileiros dos anos de 1960 foi marcada por uma elevada consciência histórica e, por conseguinte, política e social. Essa consciência resultou na busca de uma percepção totalizante do momento, por meio da representação de aspectos gerais, unificadores da experiência social. Os filmes centravam foco nas questões coletivas, sempre representadas em grande escala. Mesmo quando personagens ou comunidades eram destacados, não se via multiplicidade de identidades, os indivíduos representavam a síntese da experiência de grupos, classes, nações. (…) E, de um a um, verificamos o predomínio da abordagem geral nos documentários brasileiros até meados de 1980, ou seja, os assuntos até aí são tratados de forma abrangente, interessando-se pela ideia global das relações em sociedade.”

Assim, Hirszman tem toda sua obra permeada pela radicalidade ideológica de base marxista que fará de seus trabalhos amostras de indivíduos com papéis sociológicos definidos, classes definidas e em confronto, como partes de uma totalidade contraditória e conflitiva. Em ABC da greve foi filmar as condições de vida e de trabalho e as formas de organização e luta da classe operária do ABC e mais do que filmá-la, se colocou como participante como quem quer produzir algo para o próprio objeto. Como quem entende o próprio cinema como instrumento de conscientização, de engajamento e como vetor de ideologias. Em suas palavras: “Não era apenas reportagem, havia mesmo uma perspectiva de construir. Pois estávamos tentando dar voz ao avanço daquela consciência como documentaristas, não como intelectuais que fazem a análise da coisa. Não é um filme de análise. Nós estávamos dentro, vivendo a coisa, vigiando a greve e vivendo a luta dos trabalhadores.”

Mais uma vez, de acordo com Holanda (2006): “Acreditamos que a partir de Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho, 1984), o tratamento geral passa a ceder espaço ao particular. Esse filme não só revela aspectos do regime militar instituído no Brasil em 1964 e as consequências de suas ações impostas ao destino de muitos brasileiros, como também apresenta a história de uma mulher brasileira chamada Elizabeth, viúva de João Pedro, mãe de Abraão, que sofreu juntamente com sua família, as consequências das ações desse regime, ou seja, é um ponto de vista da história por intermédio de uma abordagem particularizada. E essa particularização vai além, pois chega a ser igualmente a história do próprio documentarista, também um brasileiro que sofreu consequências das ações do regime militar, em busca de uma família dispersa em consequência do mesmo regime.”

Acerca dessa discussão, Coutinho deixa claro seu ponto de vista numa entrevista em 2000: “Eu não faço a totalidade: Se a totalidade é o Brasil, eu escolho o Rio; a totalidade é o Rio, eu escolho uma favela; não é uma favela grande, é uma favela pequena. Quer dizer, eu estou reduzindo ao máximo, estou abolindo a ideia de totalidade como resposta, como universo que me interessa.”

Independente do ponto de vista, cada um dos documentários aqui discutidos, a sua maneira, buscam apreender uma verdade histórica, que não se confunde com a verdade, conceito absoluto. Tratam-se de duas obras primas que revelam o olhar crítico de seus autores em relação a sociedade em que viviam. E a vontade de contar ou reconstituir histórias reais que trazem lições de um tempo que trouxe tanto retrocessos quanto avanços Mais do que isso, mostram a consciência política e a prática revolucionária de dois setores explorados, dos mais organizados em nosso país justamente pelas experiências acumuladas historicamente e forjadas na luta pela superação das formas de exploração de seu trabalho.

Documentário: Chomsky e Cia.

O documentário “Chomsky & Cia” é de 2008 e explica como a mídia manipula a opinião pública via fabricação do consenso. Chomsky, considerado o intelectual mais popular e citado do mundo, também é um ativista. Para mostrar como funciona a fabricação de opinião, Chomsky dá exemplo de dois padres dissidentes da década de 80. O 1º, polonês, se tornou o símbolo mundial do terror soviético e o 2º, de El Salvador, não teve tanta importância.

Em 24 de março de 1980 em El Salvador, Oscar Romero foi assassinado enquanto rezava missa. Ele lutava contra a ditadura apoiada, armada e imposta ao seu país pelos EUA. Seu assassinato causou muito menos comoção que o de seu colega, o padre Popieluszko, em 14 de outubro de 1984, na Polônia.

O padre dissidente foi assassinado pela polícia do poder comunista. A emoção foi muito grande, a mídia se indignou, o assassinato chegou às manchetes 10 vezes na capa do The New York Times. Noam Chomsky e Edward Herman escreveram um livro em que estudam detalhadamente os dois assassinatos. Resultado: o padre dissidente do regime comunista da União Soviética recebe 100 vezes mais importância que o padre de El Salvador, vítima da ditadura apoiada pelos EUA.

Mas como essa manipulação se dá? Através de complô, serviço secreto? Não. Para Chomsky, os EUA não são uma ditadura, a mídia é livre. Mas livre? Os jornalistas como na França acham que são totalmente livres. Segundo Chomsky, se você não satisfizer determinadas condições e requisitos você não será um jornalista de destaque. Isso ilustra a diferença entre estados totalitários e sociedades democráticas. No estado totalitário, o Estado produz e declara a política do partido, você tem que aderir. No estado democrático, a política do partido não é articulada, é pressuposta.

Nesse pressuposto ela promove um debate ardente, mas dentro da estrutura do pressuposto. Ninguém questiona, é como o ar que respiramos. Ele penetra na política do partido dando a impressão que há um debate. Existe uma diferença entre a opinião pública e a opinião culta (das elites). A mídia é mais influente nos setores mais cultos e intelectuais, mas muito menos influente na opinião pública. O termo “fabricação do consenso” aparece nos anos 1920 criado pelo jornalista Walter Lippman (1889-1974): significa ganhar adesão e apoio da opinião pública criando “ilusões necessárias”.

As ilusões podem ser de criação de necessidades artificiais ou ao contrário a criação do medo, insegurança ou até o terror ou seja a ilusão que cria a desilusão. Walter Lippman vê o povo como um rebanho que se perde facilmente por emoções, medo, incapaz de cuidar de suas coisas, e que deve ser enquadrado, controlado e guiado por uma elite de tomadores de decisões esclarecidos. As pessoas devem ser desviadas para ficarem inofensivas, é preciso submergi-las e atordoá-las com informações, para que não tenham tempo de refletir.

Para Chomsky, o triunfo da lavagem cerebral sobre os libertados da democracia liberal, é obter, sem violência, sem tortura, o que os totalitaristas conseguem com o uso das armas. Perguntam ao Chomsky: como o governo influencia a mídia? Ele diz não, o governo não influencia a mídia. É como perguntar: como o governo convence a General Motors a aumentar os lucros? Não faz sentido, a mídia é feita de grandes corporações que têm o mesmo interesse das empresas que dominam o governo.

Em sociedades democráticas a mídia tem um papel: fazer com que a população absorva os valores, as formas de pensar e a visão do mundo que estão de acordo com os interesses das elites. Matéria catastrófica foi publicada sobre o acidente da Exxon no mar, provocando mortes e poluição. A Exxon Mobil prometeu US$10 mil a cientistas que escrevessem artigos que diminuíssem a importância das mudanças climáticas. Patrick Michael, prof. PHD começa a discordar dos cientistas que pregam o aquecimento global.

Aparece em todos os jornais e manchetes.Ele diz que há um esfriamento e a mídia divulga que ele diz a verdade. Aquecimento global vira resfriamento global. Mas Patrick tem uma pequena ligação com a Exxon. A Exxon financiou 40 grupos de lobistas para pressionarem o domínio político, mídia e científico. E isso pode explicar porque Chomsky afirma que não há compatibilidade entre capitalismo e democracia. As corporações são tirânicas, antidemocráticas: são as instituições que mais se aproximam do estado totalitário, que não se sentem em obrigações com o povo. E são predadoras. Elas dominam a mídia e o Estado.

Para o povo se defender destes predadores, o único instrumento que eles têm é o próprio Estado. Não é uma arma muito poderosa, porque o Estado é aliado destes predadores. Chomsky prega a democracia industrial. Democracia industrial significa que os trabalhadores vão controlar as instituições, as fábricas, o comércio a distribuição e as comunidades. Associações voluntárias vão substituir o Estado no futuro. Mas Chomsky não é comunista, nem socialista, nem esquerdista, stalinista, leninista, nem trotskista, nem anarquista (ele ainda defende o Estado), nem liberal. Seu pensamento é original, não se enquadra nas siglas tradicionais. Ele se diz “anarcossocialista”.

Link para o vídeo: Chomsky e Cia.

Alguns fatos que você provavelmente desconhecia sobre o 11 de setembro

Há exatos 13 anos, seja lá o que você estava fazendo, sua atenção foi voltada, de alguma forma, para a notícia que assustou o mundo inteiro: os Estados Unidos tinham sido alvo de um imenso e catastrófico ataque terrorista, que envolveu a atuação de 19 homens.

As Torres Gêmeas foram abaixo e quase 3 mil pessoas morreram. Entre os mortos, 343 eram bombeiros de Nova York, 23 eram policiais e 37 eram oficiais do Porto de Nova York. As vítimas tinham idades entre dois e 85 anos, sendo que cerca de 80% dos mortos eram homens. Vinte pessoas que estavam nos prédios sobreviveram e foram salvas.

Só para você ter ideia do tamanho do estrago, os bombeiros só conseguiram apagar todo o fogo causado pelas colisões no dia 19 de dezembro, 99 dias após o atentado.11162107940409

No Pentágono, em Washington, 184 pessoas morreram quando o prédio foi atingido. Em Shanksville, na Pensilvânia, 40 pessoas, entre passageiros e membros da tripulação, morreram quando o avião em que estavam bateu contra um campo. Acredita-se que o acidente também tenha relação com o atentado.

No mesmo dia, outro prédio na região das Torres Gêmeas também caiu: trata-se de mais um arranha-céu, o Building 7, de 47 andares. À época, a queda quase não foi noticiada porque o prédio não foi atingido por um avião. Acredita-se que a estrutura já estava danificada antes da queda das Torres.

É interessante observar que tudo isso levou menos de duas horas:

  • Às 8h46 um avião da América Airlines, que ia de Boston a Los Angeles, atingiu a torre norte do World Trade Center;
  • Às 9h03 um avião da United Airlines, que ia de Boston a Los Angeles, acertou a torre sul;
  • Às 9h37 uma aeronave da American Airlines, que ia de Dulles, na Virgína, para Los Angeles atingiu o prédio do pentágono em Washington;
  • Às 9h59 a torre sul despencou;
  • Às 10h03 um avião da United Airlines, que ia de Newark para São Francisco, bateu em um campo perto de Shanksville, na Pensilvânia;
  • Às 10h28 a torre norte despencou.

O número exato de mortes só foi noticiado em janeiro de 2004, quando peritos médicos de Nova York divulgaram o número de certidões de óbitos emitidas: 2.749. No ano seguinte, foram canceladas as investigações genéticas a respeito dos restos humanos encontrados no local do acidente. Dos mortos no ataque, apenas 1.585, o equivalente a 58%, tiveram seus corpos identificados.

Em 2007 um anúncio médico afirmou que a morte de mais uma pessoa tinha relação com o atentado, aumentando o número de vítimas para 2.750. Atualmente este número é de 2.753, afinal os médicos também consideram vítimas do atentado pessoas que morreram em decorrência da exposição à fumaça ou à poeira, ao longo dos anos.

Coincidências

  • Em 1987 o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, declarou a data de 11 de setembro como o Dia do Número de Emergência, a fim de chamar a atenção para o número 911, usado para situações emergenciais.

Rock no Brasil

O ano de 1985 foi marcante para o Brasil, muitos avanços aconteceram em termos políticos, econômicos, e sociais. Era um momento de indignação contra ditatura militar, o autoritarismo, a censura, a corrupção e o conservadorismo, nesse período o Brasil também vivia a campanha das diretas já e o fim da ditadura.
Um outro lado marcante desse ano de 1985 foi quando o Rock foi mais valorizado no Brasil. Jovens da época viveram uma experiência marcante o Primeiro Festival Rock in Rio no Brasil. Grandes bandas como AC/DC, Iron Maiden, Queen, Yes dentre outros vieram se apresentar no festival. Foi a partir dai que o Brasil descobriu que aqui tinha ótimas bandas de rock como a Blitz, Barão vermelho, Paralamas do Sucesso e a Legião Urbana um grupo ao mesmo tempo rebelde e poético. Algumas dessas bandas chegaram até se apresentaram no Festival:

O Colapso do Comunismo

Queda do Muro de Berlim

Queda do Muro de Berlim

O governo de Mikhail Gorbatchev à frente da União Soviética ocorreu entre 1985 e 1991, representando o fim da tentativa de construção do capitalismo de Estado soviético, chamado em alguns meios políticos de socialismo soviético.

As principais características da política interna do governo de Gorbatchev estiveram relacionadas a duas palavras russas que indicavam as tentativas de mudanças no sistema soviético: perestroika e glasnost.

Em russo, perestroika tem o significado de reestruturação. A utilização da palavra tinha por objetivo indicar os caminhos a serem traçados para realizar mudanças estruturais na economia e na sociedade soviética. A economia da URSS não alcançou nas décadas de 1970 e 1980 os altos índices de crescimento econômico verificados em tempos anteriores. A situação era resultado do esgotamento das formas de organização social soviética, na qual a centralização política e econômica no Estado e no Partido Comunista impedia o desenvolvimento de mecanismos que garantissem o aumento da produtividade.

Já a palavra glasnost tem por significado transparência e foi utilizada para representar o processo de abertura política que pretendia Gorbatchev e o grupo de burocratas soviéticos que o auxiliava. Era uma tentativa de dar um pouco de transparência aos mecanismos de decisão política da URSS, rigidamente controlada pela nomenklatura, a classe de burocratas que controlava a sociedade soviética.

A perestroika e a glasnost eram, dessa forma, uma tentativa de Mikhail Gorbatchev de por fim à crise social pela qual atravessava a sociedade soviética. E essa crise estava relacionada com o próprio desenvolvimento da URSS.

O que houve na URSS não foi o socialismo ou o comunismo. O que houve foi a existência de um capitalismo não baseado na propriedade privada. O capitalismo soviético era baseado na propriedade estatal. Os dois tipos de capitalismo se assemelham por manterem como base de seu funcionamento a exploração econômica e social da classe trabalhadora.

No capitalismo de propriedade privada, a classe exploradora geralmente é associada à burguesia. No capitalismo de propriedade estatal, a classe exploradora é a burocracia de Estado. Em ambos os tipos de capitalismo, os trabalhadores estão afastados do controle dos meios de produção e do processo de trabalho.

Gorbatchev pretendia com a perestroika e com a glasnost resolver a crise que atravessava a URSS, mas foi incapaz de conter a desagregação do sistema soviético. Em 1991, tinha fim a URSS. E o tipo de capitalismo desenvolvido na esfera de influência dos EUA aparecia ao mundo como o vitorioso de uma disputa que marcou o século XX.

Rumo ao novo Milênio – Contracultura

Nas décadas de 60 e 70, jovens de várias partes do mundo iniciaram uma fase conhecida por movimento de Contracultura.Aproveitando as mudanças pelas quais a humanidade estava passando, como a descolonização da África e da Ásia e, principalmente, a explosão do maio de 1968, em Paris, a juventude mundial inaugurou uma era de rebeldia e de desapego material.

A principal característica do movimento de Contracultura foi a profunda crítica ao sistema capitalista e aos padrões de consumo desenfreado. Os jovens que integraram esse movimento de contestação aos valores morais e estéticos da sociedade global promoviam revoluções em seus modos de vestir. Suas roupas e penteados tornavam-se símbolos desse universo paralelo que eles elaboraram para romper com os modismos capitalistas das elites.

Esse movimento musical no Brasil inovou bastante a música popular brasileira, trazendo em suas letras versos irreverentes que rompiam com o tipo de música feito até então.

Ocorre o surgimento dos hippies, grupos de jovens que viviam em comunidades, usavam cabelos cumpridos, roupas psicodélicas e lutavam de forma pacífica pela harmonia entre os seres humanos. Seu principal lema era “paz e amor” e, entre outros ideais, eram a favor da utilização de drogas, revolução sexual e misticismo.

http://www.brasilescola.com/historiab/contracultura-juventude-brasileira.htm

http://www.infoescola.com/historia/contracultura-e-cultura/

O dia em que Collor confiscou sua poupança!

16 de março de 1990. Um dia após a posse de Fernando Collor de Mello como primeiro presidente da República eleito pelo voto direto em mais de 25 anos, os brasileiros tiveram uma desagradável notícia. O governo resolveu botar a mão no dinheiro de poupadores com a justificativa de combate à inflação. Coube à economista Zélia Cardoso de Mello, primeira e única mulher a comandar o Ministério da Fazenda, anunciar o Plano Brasil Novo, que passou a história simplesmente como Plano Collor. Além de uma reforma administrativa ampla, da abertura da economia, de congelamento de preços e salários, a parte mais explosiva do plano consistia no bloqueio, por 18 meses, dos saldos superiores a NCz$ 50 mil nas contas correntes, de poupança e demais investimentos. Além do confisco, a ministra anunciou ainda o corte de três zeros no valor da moeda e a substituição do cruzado novo pelo cruzeiro.

Com a medida, calcula-se que foram congelados cerca de US$ 100 bilhões, equivalente a 30% do PIB. A inflação, que no último mês anterior ao anúncio fora de 81%, caiu para a média de 5% nos meses seguintes. Mas o tiro único desferido na inflação – como prometera o presidente eleito durante a campanha eleitoral – falhou e os preços voltaram a subir logo depois.

Economista formada na USP com passagens pela inicativa privada e pelo setor público, Zélia Cardoso de Mello era praticamente desconhecida do grande público. Mas por sua curta passagem pelo governo, foi considerada a mulher que mais poder teve na história republicana do país. Para montar o plano e o confisco, ela convocou uma equipe de economistas, com Antonio Kandir e Ibrahim Eris à frente.

No fim de 1990, a economia havia encolhido 4%. Em setemro do mesmo ano, a inflação já voltara a 20% e continuava em alta. O fracasso do plano foi reconhecido pelo sucessor de Zélia Cardoso. Marcílio Marques Moreira, que assumiu o Ministério da Fazenda em 1991 e ficou até o impeachment de Collor, considerou “exageradas” algumas medidas do plano. Tão exageradas que viraram casos de Justiça.

À época centenas de milhares de liminares foram concedidas pela Justiça para a liberação antecipada do bloqueio. Ainda hoje,  tramitam na Justiça Estadual e Federal, 550 mil ações individuais e coletivas contra os planos Bresser e  Verão, ambos editados durante o governo do presidente José Sarney, e os planos Collor I e II, do governo de Fernando Collor

O Supremo Tribunal Federal vai se manifestar sobre a constitucionalidade dos planos Bresser (87), Verão (89), Collor I (90) e Collor II (91) na ação movida pela Confederação Nacional do Sistema Financeiro (Consif). Os bancos defendem, no STF, que o estado tem o direito de definir a política monetária para zelar pela moeda nacional e combater a inflação. Eles argumentam que apenas implementaram os planos por determinações do Executivo.

Os bancos se defendem contra a pretensão dos correntistas e poupadores a respeito dos índices de correção da poupança aplicados por ocasião da decretação dos planos econômicos. Se os correntistas levarem a melhor, os bancos podem perder até R$ 100 bilhões, de acordo com dados da Febraban (Federação Brasileira de Banco). Se os bancos levarem a pior, a Consif já afirmou que a única alternativa será acionar o estado para tentar conseguir o ressarcimento da quantia.

Apesar do abalo provocado na economia do país e nas contas pessoais dos cidadãos, há quem considere o plano mirabolante de Zélia Cardoso como uma medida precursora que lançou as bases econômicas para o Plano Real, que cinco anos depois haveria de estabilizar de forma duradoura a economia brasileira.

FONTE:http://www.conjur.com.br/2009-jun-25/imagens-historia-dia-collor-confiscou-poupanca

Sugestão de filmes: Getúlio(2013)

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Em relação ao assunto dessa semana, que é sobre o Brasil e a República Democrática, sugerimos um filme, que relata a história do então presidente Getúlio Vargas, interpretado por Tony Ramos, e suas intimidades.Pressionado por uma crise política sem precedentes, em decorrência das acusações de que teria ordenado o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, interpretado por Alexandre Borges, ele avalia os riscos existentes até tomar a decisão de se suicidar. Grandes personalidades da história sempre despertaram curiosidade, seja por seus feitos ou pelas características peculiares que os alçaram a tal posto. O suicídio de Getúlio Vargas, ocorrido em 24 de agosto de 1954, é daqueles momentos que marcam a história de um país. Ainda mais se este for o Brasil, cuja fragilidade institucional fez com que duas ditaduras assumissem o governo em menos de quatro décadas. Entretanto, deixemos a história política à parte – por enquanto – para nos ater à figura de Getúlio. Ditador confesso, ele próprio admite ter rasgado duas Constituições enquanto esteve no comando, com o objetivo de manter-se no poder. Ao mesmo tempo, retornou à presidência do país graças ao voto, em pleno ato democrático. Tamanha contradição se reflete não apenas na oposição feroz, mas no próprio personagem título de Getúlio, o filme.

Segue abaixo o link do trailer oficial:

https://www.youtube.com/watch?v=FUajWwLQcaQ